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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DNA de esqueleto indica existência de britânicos negros e de olhos azuis há 10 mil anos

Homem de Cheddar
Com base nos dados, cientistas reconstruíram o que acreditam ter sido o rosto do Homem de Cheddar

O Homem de Cheddar nada tem a ver com o queijo de sabor forte e, por vezes, cor amarelada. É, na verdade, um dos mais antigos britânicos de que se tem registro. E agora, também objeto de uma nova descoberta.
Uma análise recente do fóssil encontrado em 1903 em uma gruta de Cheddar, desfiladeiro repleto de cavernas localizado em Somerset, no Reino Unido, indicou que ele tinha olhos azuis, cabelo crespo e pele escura.
A análise contraria a imagem anterior projetada a partir do fóssil. Inicialmente, acreditava-se que ele tinha olhos escuros, pele clara e cabelos lisos.
Uma equipe de cientistas não só identificou o novo fenótipo atribuído ao britânico de 10 mil anos atrás como também fez uma reconstrução detalhada de seu rosto.
Avaliações anteriores já indicavam que ele era mais baixo que a média e que provavelmente morreu por volta dos 20 anos.
Homen de Cheddar e integrantes da equipe do Channel 4
Gêmeos holandeses Adrie e Alfons Kennis recriaram a face do Homem de Cheddar | Foto: Channel 4
Fraturas na superfície do crânio sugerem que ele pode ter morrido de maneira violenta. Não se sabe como o corpo chegou à caverna, mas é possível que tenha sido colocado lá por indivíduos da tribo.

Extração do DNA

Os pesquisadores do Museu de História Natural de Londres extraíram o DNA de uma parte do crânio, próxima ao ouvido, conhecida como osso petroso.
Inicialmente, Ian Barnes e Selina Brace, que fazem parte da instituição e integram o projeto, não tinham certeza se conseguiriam algum DNA do fóssil.
Mas eles tiveram sorte: não só o DNA foi preservado, como também produziu a maior cobertura (uma medida da precisão de sequenciamento) para um genoma na Europa desse período de Pré-história - conhecido como Mesolítico ou Idade da Pedra Média.
Crânio
Análise do DNA foi feita a partir do crânio, mais precisamento do osso petroso | Foto: Channel 4
Os pesquisadores do museu se juntaram a cientistas da universidade londrina UCL (University College London) para analisar os resultados, incluindo variantes genéticas associadas com cabelo, olhos e cor da pele.
A descoberta indica ainda que os genes da pele mais clara se difundiu na Europa mais tarde do que se pensava, e que a cor da pele não é necessariamente referência de origem geográfica, como normalmente é vista hoje em dia.

Como a pele mudou

A pele clara provavelmente chegou à Grã-Bretanha há cerca de 6 mil anos, com uma migração de pessoas do Oriente Médio.
Essa população tinha pele clara e olhos castanhos. Acredita-se que tenha acabado absorvendo características de grupos como o do Homem de Cheddar.
Não se sabe ao certo, contudo, por que a pele clara acabou se sobressaindo entre os habitantes da região. Mas acredita-se que a dieta à base de cereais provavelmente era deficiente em vitamina D - isso exigiria que agricultores processassem esse nutriente por meio da exposição à luz solar, que é mais escassa onde fica o Reino Unido.
"Podem haver outros fatores causando menor pigmentação da pele ao longo do tempo nos últimos 10 mil anos. Mas essa é a grande explicação à qual a maioria dos cientistas se fia", disse Mark Thomas, geneticista da UCL.
Homem de Cheddar
Fóssil foi encontrado em 1903 numa caverna em Cheddar, no condado de Somerset
Para Tom Booth, arqueólogo do Museu de História Natural em Londres e integrante do projeto que desvendou as características do Homem de Cheddar, a análise mostra como as categorias raciais são construções modernas ou muito recentes. "Elas realmente não se aplicam ao passado", disse ao jornal britânico The Guardian.
Yoan Diekmann, biólogo especializado em estudos da computação na universidade londrina UCL e também parte da equipe, concorda com o colega. Afirma que a conexão comumente estabelecida entre "britanidade" e brancura "não é uma verdade imutável". "Sempre mudou e sempre mudará", declarou à mesma publicação.
A análise genética também sugere que o Homem Cheddar não bebia leite na idade adulta - algo que só se espalharia entre os humanos muito mais tarde, na Idade do Bronze, iniciada em alguns lugares há cerca de 5 mil anos.

Chegadas e partidas

As análises também indicam que os europeus dos tempos atuais mantiveram, em média, apenas 10% das características de ancestrais como o britânico de Cheddar.
Acredita-se que os humanos chegaram no que hoje é o Reino Unido há 40 mil anos, mas um período de frio extremo conhecido como o Último Máximo Glacial teria os forçado a migrar dali 10 mil anos depois.
Também já foram coletadas evidências em cavernas de que humanos caçadores-coletores voltaram quando as condições climáticas melhoraram. Mas acabaram sendo surpreendidos pelo frio - marcas nos ossos sugerem que esse grupo canibalizou seus mortos.
O território hoje conhecido como Grã-Bretanha foi ocupado novamente há 11 mil anos e, desde então, permanece habitado, segundo os pesquisadores.
O Homem de Cheddar é parte dessa onda migratória que teria caminhado pela chamada Doggerland - que, naquele período, ligava a ilha ao continente, mas posteriormente acabou coberta pelo aumento do nível do mar.
Homem de Cheddar
Nos anos 1990, outra análise do DNA já havia identificado possíveis 'parentes do Homem de Cheddar'
Essa não é a primeira tentativa de análise genética do Homem de Cheddar. No final dos anos 1990, o geneticista Brian Sykes já havia sequenciado o DNA mitocondrial de um dos molares do fóssil.
A sequência, transmitida exclusivamente da mãe para os filhos, foi comparada com 20 residentes vivos do povoado em Cheddar.
Duas dessas pessoas tinham mostras similares - uma delas era o professor de história Adrian Targett.
A atual descoberta feita por pesquisadores do Museu de História Natural e da UCL vai ser detalhada em um documentário para a televisão britânica com o título The First Brit: Secrets of the 10,000 Year Old Man ("O primeiro britânico: segredos do homem de 10 mil anos de idade"), feito pela Plimsoll Productions e a ser exibido pelo Channel 4. Também vai virar, é claro, artigo acadêmico.
Chris Stringer
Professor Chris Stringer ficou impressionado ao ver a reconstrução do Homem de Cheddar
O professor Chris Stringer, que lidera os estudos sobre origens humanas no museu, se dedica a estudar o esqueleto do Homem de Cheddar há 40 anos.
Ele se impressionou ao ver a reconstrução que pode ter revelado o rosto de seu objeto de estudo.
"Ficar cara a cara com a imagem de como esse homem pode ter parecido - a combinação impressionante de cabelo, rosto, cor dos olhos e pele escura - é algo que não poderíamos imaginar alguns anos atrás. Mas é que os dados científicos mostram."

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Asteroide que dizimou dinossauros ‘não poderia ter caído em pior lugar’

Resultado de imagem para Extinção dinossauros



Está cada vez mais claro para cientistas que o asteroide de 15km de diâmetro responsável pela extinção dos dinossauros não poderia ter atingido a superfície da Terra em um pior lugar.

Pesquisadores perfuraram rochas do oceano do Golfo do México que foram atingidas pelo asteroide há 66 milhões de anos e trazem novos dados sobre o evento que dizimou os répteis pré-históricos.
Os últimos achados foram resumidos num documentário da BBC Two transmitido nesta segunda-feira.
O asteroide atingiu uma área relativamente rasa do mar, chocou-se com as rochas de gesso mineral liberando quantidades colossais de enxofre na atmosfera o que prolongou o período de “inverno global”. Os gases de enxofre são altamente tóxicos e densos. Se o asteroide tivesse caído num outro local, o resultado poderia ter sido diferente.
“É aí que está a grande ironia da história, porque no final das contas não foi o tamanho do asteroide, a escala da explosão ou seu impacto global que levou à extinção dos dinossauros; foi onde o impacto ocorreu”, disse o biólogo evolucionista Ben Garrod, que apresenta The Day The Dinosaurs Died (O dia que os dinossauros morreram), com a paleontologista Alice Roberts.
“Se o asteroide tivesse caído momentos antes ou depois, em vez de atingir a costa de águas rasas ele poderia ter se chocado com o oceano profundo”, continua o pesquisador.
“Um impacto nos oceanos Atlântico ou Pacífico significaria muito menos rochas vaporizadas – incluindo o mortal gesso. A nuvem seria menos densa e a luz do sol poderia ter chegado à superfície do planeta, ou seja, o que aconteceu poderia ter sido evitado”.
“Naquele mundo frio e escuro, a comida nos oceanos acabou em uma semana, e os alimentos em terra firme, pouco depois, interrompendo subitamente a cadeia alimentar. Sem nada para comer em lugar algum do planeta, os imponentes dinossauros tiveram pouca chance de sobrevivência”.
Entre abril e maio de 2016, Ben Garrod esteve na plataforma de perfuração localizada a 30km de distância da Península Yucatan, no México, onde uma expedição milionária investiga o evento histórico. Enquanto isto, Alice Roberts visitou áreas de escavações de fósseis nas Américas para entender melhor como a vida mudou de rumo após o impacto.
Da plataforma, foram coletados núcleos de rochas a 1,3km de profundidade no mar do golfo. O material vem de uma área da cratera chamada “anel de pico”, formações rochosas que se elevaram e rodearam o centro da cratera após a grade colisão.
Com a análise de suas propriedades, a equipe do projeto de perfuração, coordenada pelos professores Jo Morgan e Sean Gulick, espera reconstruir o desenrolar do impacto e as mudanças ambientais decorrentes dele.

Cratera Chicxulub – O impacto que mudou a vida na Terra
Pesquisadores hoje têm uma noção melhor da escala da energia liberada pelo impacto do asteroide na Terra – o equivalente a 10 bilhões de bombas atômicas de Hiroshima.
Eles também têm mais conhecimento sobre como a depressão assumiu a estrutura que observamos hoje e como ocorreu o retorno da vida ao local do impacto.
Umas das sequências fascinantes do programa da BBC Two mostra a visita de Alice Roberts a uma pedreira de Nova Jérsei, nos Estados Unidos, onde 25 mil fragmentos de fósseis foram descobertos – uma evidência da morte em massa de criaturas que ocorreu no dia do impacto.
“Todos os fósseis têm uma camada que não tem mais de 10cm de largura”, contou a Roberts o palenteologista Ken Lacovara.
“Eles morreram de repente e foram enterrados rapidamente. Isto mostra que foi um momento específico no período geológico. Pode ter durado dias, semanas, talvez meses; mas não milhares de anos ou centenas de milhares de ano. Foi um evento essencialmente instantâneo”.

Vi no Pavablog

terça-feira, 23 de junho de 2015

Primeiros europeus teriam cruzado com neandertais, diz estudo

  • Imagem de mandíbula encontrada na Romênia de um homem que viveu há cerca de 40 mil anos é exibida pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária de Leipzig, na Alemanha
    Imagem de mandíbula encontrada na Romênia de um homem que viveu há cerca de 40 mil anos é exibida pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária de Leipzig, na Alemanha
Logo após sua chegada na Europa, alguns seres humanos modernos acasalaram com os neandertais, antes que esta espécie desaparecesse - afirmaram pesquisadores em um estudo publicado nesta segunda-feira (22) pela revista Nature.

A análise da mandíbula de um homem moderno que viveu na Europa há cerca de 40.000 anos revelou que os neandertais estavam entre seus antepassados relativamente próximos.

O homem de Neandertal, que surgiu há 400.000 anos na Eurásia, desapareceu há cerca de 35.000 anos. O homem moderno (Homo sapiens), de origem africana, se espalhou no continente europeu entre 45 mil e 35 mil anos. Estes dois primos do gênero Homo, que coexistiram durante milhares de anos, nem sempre desagradaram um ao outro.

Estudos anteriores já haviam estabelecido a existência de misturas entre as duas espécies de hominídeos. Os humanos atuais de origem europeia e asiática herdaram de 1% a 3% do genoma do homem de Neandertal.

Mas os pesquisadores pensavam até agora que estes cruzamentos tinham ocorrido no Oriente Médio entre 50.000 e 60.000 anos, antes que o homem moderno, que partiu da África, chegasse a Ásia e Europa.

A análise do DNA de um maxilar descoberto em 2002 na caverna romena de Pestera cu Oase ("caverna dos ossos") datando de 37.000 a 42.000 anos, demonstrou que as duas espécies se misturaram na Europa antes do que se pensava.

Ela estabeleceu que seis a nove porcento do genoma do fóssil é proveniente dos neandertais. "Um percentual elevado que nunca antes havia sido evidenciado", ressaltou David Reich, do Instituto médico Howard Hugues (Estados Unidos), co-autor do estudo.

Os pesquisadores deduziram que este hominídeo havia um ancestral remontando a apenas "quatro a seis gerações".

No entanto, não foi o homem da caverna romena que transmitiu um pouco do patrimônio neandertal aos homens atuais.

Na verdade, "ele não parece com os europeus atuais", segundo Reich. "Ele talvez fez parte de um grupo pioneiro de homens modernos que foram à Europa mas foram substituídos por outros grupos mais tarde", explicou.

Pesquisadores do Instituto Max-Planck de antropologia (Alemanha) e da Academia de Ciências Chinesas também participaram do estudo.
http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2015/06/22/primeiros-europeus-teriam-cruzado-com-neandertais-diz-estudo.htm

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Quem vivia na Terra? Equipe encontra ferramentas anteriores ao primeiro homem

ReproduçãoReprodução

Uma descoberta feita no Quênia está deixando cientistas e paleontólogos de todo o mundo extremamente inquietos. Trata-se de um conjunto de ferramentas encontrada em um sítio arqueológico datado do período Plioceno, ou seja, há mais de 3,3 milhões de anos. O dado é que esse tempo é anterior ao surgimento dos primeiros homens.

O primeiro homem conhecido é o Homo habilis, que surgiu milhares de anos depois do período Plioceno. Por conta disso, cientistas e especialistas acreditam que a nova descoberta poderá fazer com que toda a história da humanidade — e talvez do planeta — seja reescrita. Isso porque, além da data em questão, as ferramentas são consideradas bastante sofisticadas: há martelos, bigornas e seixos esculpidos.

Em artigo publicado na Nature, revista especializada no ramo, os responsáveis pela descoberta deram o nome de Lomekwian a essa produção proto-humana. Ela é 700 mil anos mais velha que a produção olduvaiense, até então a mais antiga já descoberta. Mais do que a antiguidade, os pesquisadores agora se preocupam com a única pergunta sem resposta: se essas ferramentas são anteriores ao homem, quem as teria produzido e utilizado?

Em relatos recentes, cientistas afirmam que serem marinhos como os golfinhos já utilizaram ferramentas ao longo de seu desenvolvimento. A teoria, porém, é controversa e não aceita por toda a comunidade. A descoberta no Quênia abre mais um caminho para que se descubra além disso e, portanto, é considerada histórica.



https://br.noticias.yahoo.com/blogs/super-incr%C3%ADvel/quem-vivia-na-terra--equipe-encontra-ferramentas-anteriores-ao-primeiro-homem-140344367.html

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Crânio de 1,8 milhão de anos pode reescrever história da evolução humana

Crânio descoberto na Geórgia. Foto: AFP
Crânio descoberto na Geórgia levou a nova hipótese de
cientistas sobre espécies humanas
Muitos cientistas consideravam a possibilidade de que havia várias espécies humanas vivendo na Terra há dois milhões de anos, no entanto uma nova pesquisa sugere que isso pode não ser verdade.


Cientistas trabalhando na Geórgia acreditam que fósseis humanos encontrados na África e na Eurásia podem ter sido parte da mesma espécie, reduzindo os "galhos" de nossa árvore genealógica.
Em artigo para a revista científica Science, a equipe diz que as espécies Homo habilisHomo rudolfensis e Homo erectussão todos parte de uma linhagem única que evoluiu para o homem moderno.
Uma equipe analisou o crânio mais completo já achado de um hominídeo. A descoberta foi feita em Dmanisi, na Geórgia.
O crânio possui dentes grandes, um rosto comprido e sugere que o cérebro era menor. Estas características são semelhantes às do Homo habilis. No entanto, outros traços também são exclusivos do Homo erectus.
O fóssil faz parte da coleção Dmanisi, de 1,8 milhão de anos, uma das mais antigas fora do continente africano. Esse grupo de humanos surgiu pouco depois que as espécies de Homo evoluíram dos australophitecus (da famosa "Lucy").
"Agora temos a melhor pista para entender o que o Homo realmente é", disse o pesquisador David Lordkipanidze, do Museu Nacional da Geórgia.
Para Lordkipanidze, as grandes variações verificadas neste crânio não são sinais de espécies diferentes, mas sim de diferenças dentro de uma mesma espécie.
"Quando olhamos para essas variações e comparamos com humanos modernos, você pode ver que é uma variação normal", disse o pesquisador à BBC.
O crânio foi descoberto há oito anos e desde então tem sido comparado a fósseis de outras espécies Homo achados na África – de até 2,4 milhões de anos.
Segundo os pesquisadores na Geórgia, a análise revela pontos de coincidência suficientes para classificar os fósseis do Homo africano na mesma categoria dos hominídeos de Dmanisi.
No entanto, outros paleoantropólogos discordam. Fred Spoor, da University College London, acredita que pelo menos três espécies distintas de humanos coexistiram na África.
Para ele, os métodos de análise usados no artigo da Science não são suficientes para concluir que se tratava de uma espécie única.
"Eles fazem uma análise muito generalista do formato do crânio", disse Spoor à BBC.
Para Chris Stringer, do Natural History Museum de Londres, o novo trabalho argumenta de forma sólida "que este novo crânio, com sua mandíbula gigante", era parte de uma variação natural da população Dmanisi.
No entanto ele ainda tem dúvidas sobre a tentativa de enquadrar todas as diferentes características dos fósseis em uma mesma linhagem evolutiva de Homo erectus.
"Apenas o Homo erectus sobreviveu e se tornou bem-sucedido, mas naquele momento a natureza estava experimentando sobre como os humanos evoluem em termos de tamanho crescente do cérebro", disse Stringer à BBC.
Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131018_cranio_georgia_dg.shtml

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Arqueólogos descobrem ‘lar’ que abrigou a primeira fogueira da história há 300 mil anos


Cientistas investigam antiga caverna de pedra calcária que abrigava a fogueira
Foto: Weizmann Institute
Cientistas investigam antiga caverna de pedra
calcária que abrigava a fogueira 
Weizmann Institute
TEL AVIV (ISRAEL) - Uma antiga caverna de pedra calcária em uma zona rural que fica a leste de Tel Aviv, em Israel, proporcionou a um grupo de cientistas uma visão remota e fascinante do passado. Eles acreditam que naquele espaço tenha sido criada a mais antiga fogueira da Humanidade. Ao redor dela, famílias cozinharam periodicamente suas refeições há mais de 300 mil anos.

Para o arqueólogo da Universidade de Tel Aviv Ran Barkai, esta é a mais antiga evidência que se tem a respeito da domesticação do fogo.
- Trazer um pedaço de carne para casa e assá-lo parece algo extremamente natural para nós, mas não é. O momento em que isso passou a ser feito representa uma etapa crucial na evolução biológica e cultural humana - explica o cientista.
A fogueira foi localizada dento da caverna Qesem, que fica em uma região conhecida com “Levant”, ao sul da Turquia, Síria, Jordânia, Líbano e Israel. A identidade de quem usava o espaço ainda é um mistério. Especula-se, inclusive, uma nova linhagem de hominídeo.
- Parece evidente que os moradores daquele espaço apresentavam características diferentes das dos Homo erectus. Pode haver uma nova linhagem que apresenta certa afinidade com os sapiens e os neandertais - aponta o arqueólogo.

A Caverna Qesem foi originalmente descoberta em outubro de 2000 por uma equipe que estava construído uma estrada próximo à região. As escavações e análises, no entanto, levaram anos para serem concluídas.

Os cientistas descobriram uma espessa camada de cinzas no centro do espaço. Utilizando espectroscopia de infravermelho, eles perceberam que os pequenos pedaços de osso fragmentos e misturados às cinzas haviam sido aquecidos a temperaturas elevadas. Este resultado sugere que a fogueira tenha sido usada para cozinhar.

Foi esclarecido também que o material era fruto de uma queimada continua, já que havia várias camadas. Isso afasta a hipótese de que o local tenha sido palco para um fogo efêmero, de apenas uma noite, por exemplo. Restos carbonizados de ossos de animais e ferramentas de pedra usados ​​para partir carne também foram as evidências adicionais que concluíram a grande descoberta.

A fogueira deve ter representado o centro da vida doméstica de várias gerações de famílias de caçadores-coletores que percorriam a região, diz Barkai. Além do fogo, a região também oferecia em suas proximidades água doce e bons afloramentos de pedra, além de madeira em abundância.
- Nós acreditamos que um grupo relativamente pequeno viveu ali. Talvez duas famílias, num total de 15 a 20 pessoas - apontou Barkai.

Fonte: http://oglobo.globo.com/ciencia/arqueologos-descobrem-lar-que-abrigou-primeira-fogueira-da-historia-ha-300-mil-anos-11454645

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

América foi povoada por dois grupos, mostra DNA

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O DNA de um menino da Sibéria, que morreu aos três ou quatro anos de idade, na fase mais severa da Era do Gelo, pode ser uma das pistas mais importantes para entender como o ser humano colonizou as Américas.

Segundo os cientistas que "leram" seu genoma, o garoto tem semelhanças genéticas tanto com europeus quanto com os indígenas atuais.

E a recíproca é verdadeira. Os pesquisadores calculam que a antiga população à qual o menino pertencia seria responsável por algo entre 15% e 40% da herança genética dos índios. Esse povo misterioso teria se misturado a outro, oriundo do leste da Ásia, para dar origem aos habitantes do continente americano.

Há décadas alguns antropólogos argumentam que o povoamento da América pode ter envolvido dois grupos geneticamente distintos.

Uma das vozes mais importantes desse grupo é o brasileiro Walter Neves, do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP. O principal indício desse fato é a variedade no formato dos crânios dos mais antigos americanos, os paleoíndios --o exemplo mais famoso é "Luzia", fóssil achado em Minas Gerais, com mais de 11 mil anos.
Editoria de arte/Folhapress
SEGUNDA LEVA

Neves e seus colaboradores afirmam que o crânio de Luzia e de outros paleoíndios lembra mais o de aborígines australianos, melanésios e africanos do que o da maioria dos índios atuais, normalmente comparados a grupos do nordeste da Ásia.

A ideia é que a maioria dos ancestrais dos índios modernos teria integrado uma segunda leva migratória, que teria exterminado os paleoíndios ou se misturado a eles.
"Nossos achados não apoiam diretamente o trabalho dos brasileiros", disse Eske Willerslev, biólogo do Museu de História Natural da Dinamarca que coordenou o estudo, publicado na "Nature". "Parte do material genético da criança tem afinidades com grupos do sul da Ásia [região de origem dos paleoíndios, segundo Neves]. Então o artigo se alinha parcialmente à ideia deles."

Neves reagiu com cautela e ironia aos achados. "Eu podia estar comemorando, dizendo 'olha, finalmente alguém fala de herança dual'. Mas vai depender da estabilidade dos trabalhos deles. Se os achados desse tipo continuarem, vou poder dizer que estive certo por 25 anos."

MISTURA

Seria o caso, então, de pensar nos índios atuais como uma mistura de europeus com asiáticos? Não exatamente. Europeus e asiáticos dessa época eram bem diferentes dos de hoje. Eles estavam mais próximos de um padrão genético e morfológico "genérico", resultado da expansão inicial dos humanos modernos da África para o resto do mundo, diz Fabrício Santos, geneticista da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

"Características mongólicas [a "cara" asiática de alguns índios atuais] teriam sido adquiridas mais tarde a partir de populações do leste asiático", afirma Santos.
Rolando González-José, biólogo do Centro Nacional Patagônico, na Argentina, diz que nem é necessário postular duas "ondas" de migração para entender os dados do genoma do novo estudo.

Ele argumenta que é mais natural pensar que a população "genérica" à qual pertencia o menino teria se diferenciado cada vez mais ao se expandir para os quatro cantos da Ásia e das Américas.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Jornal da História: Fontes Materiais

Nesta atividade você e seus colegas de classe irão organizar a primeira página de um jornal sobre as fontes históricas. Abaixo, segue uma dica de como vocês poderão organizar visualmente o trabalho final de vocês:


Abraços.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Discovery Channel - Homem Pré-Histórico: Vivendo entre as Feras



A idade dos metais

O que determinou o fim do período neolítico?


Façamos uma possível reconstituição de uma cena que pode ter acontecido por volta de 6.000 A.C.

Um oleiro cozia vasos de argila, pois o fogo já tinha sido controlado. Enquanto o fogo ardia, o oleiro percebeu que algumas pedras verde-azuladas que caíam no fogo, ficavam avermelhadas e encolhiam. Quando o fogo apagou, ele viu que aquelas estranhas pedras haviam se transformado em uma pasta vermelha incandescente, que endurecia conforme ia esfriando.

Quando ela esfriou totalmente o oleiro viu que era mais dura que a pedra e a madeira, e que podia ser trabalhada enquanto estava quente. Esta seria a história da primeira fundição de metal.

Este material mais duro do que a pedra e a madeira, chamou-se cobre, o primeirometal descoberto pelo homem. Estava terminada a Idade da Pedra e começava a Idade dos Metais.

O que foi a Idade dos Metais


A Idade dos Metais começou por volta do ano 6000 a.C, quando o homem descobriu que era possível fazer objetos de metais. O primeiro metal a ser descoberto foi o cobre, este metal avermelhado que hoje nós encontramos nos fios de eletricidade.